A MIRA faz parte de uma pesquisa contínua que começou com Sømaerke (Aarhus, Dinamarca 2015 e Cottesloe, Austrália 2016): estruturas construídas de madeira simplesmente empilhada, colocadas ao longo do litoral, funcionando como um ponto de marcação ao mesmo tempo que propõem a identidade de um novo espaço. Localizada cuidadosamente num terraço entre dois muros fortificados, MIRA tem vista para a baía de Angra e sugere uma perspetiva distinta sobre a cidade e o mar enquanto se vê de longe, atraindo visitantes para uma zona esquecida do parque urbano.

Nos Açores a estrutura toma a forma de uma "burra de milho", uma construção tradicionalmente utilizada para secar e armazenar milho que frequentemente pontuava a paisagem e que agora é raramente encontrada. De forma piramidal e com base hexagonal, essas estruturas eram construídas com seis vigas de pinho travadas por ripas onde as socas de milho se penduravam para secar.

MIRA reflete a silhueta de uma “burra de milho”, mas é um pouco mais complexa na sua forma - um heptaedro onde o ápice roda em direção à base, definindo uma superfície parabolóide hiperbólica que divide a pirâmide em dois: um lado virado para terra como um abrigo, proporcionando proteção a um palco ou a um lugar de encontro; o outro lado suporta um pequeno anfiteatro de frente para o mar, com ampla vista sobre o oceano. O pavilhão é aberto: será definido pela forma como os visitantes o completarem com o seu uso.

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Materiais: Criptoméria
Dimensões: 5 x 4,33 x 3,75 m