DEAMBULAÇÃO IDENTITÁRIA

SÉRGIO FAZENDA RODRIGUES
CURADOR CIRCUITO


A proposta curatorial para o Circuito de Exposições do festival Walk&Talk, em Ponta Delgada, em 2019 articula um conjunto de sete apresentações individuais, patentes em cinco espaços diferentes desta cidade. Estas apresentações indagam o formato tradicional de exposição e problematizam a ideia de identidade. Trabalhando com os lugares que se coadunam com a sua natureza, as intervenções questionam aquilo que define, compõe e reinventa uma lógica identitária, operando numa estreita relação entre espaços e conteúdos. Cada intervenção interpela um conjunto de referências de base cultural, social e antropológica, que vão das questões de género, à memória, à paisagem e à arquitetura. Interpelações que interrogam a expressão do tempo, a ideia de mudança e o conceito de conhecimento, e que sugerindo um percurso inclusivo, cruzam três tipos de intervenção. Estas intervenções organizam diferentes modelos expositivos, onde se destacam: (1) As intervenções singulares em lugares específicos (pontuar) (2) As intervenções que se propagam no espaço urbano (dispersar) (3) As intervenções que se agrupam num local (convergir) Pontuar, dispersar e convergir são, assim, as ações de base que norteiam uma lógica que se quer alargada, transformadora e participativa, ditando a participação dos artistas: Gonçalo Preto no Museu Carlos Machado - Núcleo de Santo André (pontuar) Miguel C. Tavares & José Alberto Gomes, junto ao Anfiteatro das Portas do Mar (pontuar) Maria Trabulo na Torre Sineira de Ponta Delgada (dispersar) Rita GT no Museu Carlos Machado - Núcleo de Santo André, e nas ruas que lhe estão adjacentes (dispersar) Mónica de Miranda, Diana Vidrascu e Andreia Santana, no 4º piso do edifício SolMar, na Avenida Marginal (convergir) No seu conjunto, as exposições refletem sobre aquilo que identifica uma comunidade, acreditando que tal contempla um processo de renovação constante, onde a criatividade, o debate e a inclusão, têm um lugar cimeiro. Nesse sentido, todas as obras procuram explorar não a diferença que nos distingue, mas sim a reinvenção da semelhança que nos aproxima. O Circuito de Exposições é apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.